Cada paciente é único, exigindo uma abordagem individualizada para diagnóstico e tratamento, garantindo, assim, o melhor resultado em sua jornada de saúde.
Pedro Pierro é Neurocirurgião com atuação em dor, transtornos de movimentos e epilepsia.
Membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia – SBN, da Sociedade Brasileira para Estudos da Dor – SBED, Diretor Científico do Sechat – Portal sobre Cannabis para fins Medicinais e Curador do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal do Sechat; Membro da Associação Médica Brasileira de Endocanabinologia – AMBCANN, e da Associação Pan-americana de Medicina Canabinoide – APMC. Estudioso sobre as terapias de cannabis pra fins medicinais desde 2012. Pesquisador, educador e palestrante internacional.
CRM 102.283-SP / RQE 62.363
Para falarmos sobre cannabis para fins medicinais é preciso, primeiro, entender o que é o Sistema Endocanabinoide e por que essa terapia pode ajudar no tratamento de diferentes condições de saúde.
O Sistema Endocanabinoide (SEC) é um complexo sistema de sinalização celular encontrado no corpo de todos os mamíferos, incluindo dos seres humanos.
Esse sistema desempenha um papel importante na regulação de uma variedade de funções fisiológicas no organismo, como, por exemplo, humor, apetite, sono, memória, regulação da temperatura corporal, resposta imune, sensação de dor, entre outras.
O funcionamento do Sistema Endocanabinoide é um dos motivos que permitem a utilização de medicamentos à base de cannabis para fins medicinais no tratamento de diferentes condições de saúde.
O Sistema Endocanabinoide é composto por receptores de canabinoides, que estão espalhados por todo nosso corpo; endocanabinoides, substâncias químicas produzidas pelo próprio corpo, que se ligam aos receptores e enzimas, que sintetizam e degradam os endocanabinoides.
Os receptores de canabinóides mais conhecidos são o CB1 e CB2.
A ativação do Sistema Endocanabinoide pode ocorrer de várias formas, incluindo, a interação com os canabinoides encontrados na planta Cannabis Sativa, como o THC (tetrahidrocanabinol).
Os canabinoides são chamados de fitocanabinoides ou endocanabinoides.
O sistema endocanabinoide também é ativado por endocanabinoides naturais, que são produzidos pelo próprio corpo.
Por meio de dicas práticas e informações úteis, visamos facilitar o seu acesso e compreensão dos procedimentos necessários para atender às suas necessidades eficientemente.
Dúvidas sobre o atendimento? Entre em contato para o esclarecimento de suas perguntas!
O Dr. Pedro tem credenciamento nos hospitais relacionados, adicionalmente,
informamos que o credenciamento médico hospitalar é atualizado conforme demandou caso o paciente já tenha um hospital de preferência, sendo assim, um novo credenciamento poderá ser realizado (nesse caso, é necessário um período 60 dias antes de qualquer procedimento
Produzidos pelo nosso próprio organismo
Os endocanabinoides são substâncias químicas endógenas (produzidas pelo próprio corpo) que interagem com os receptores de canabinoides no sistema endocanabinoide.
Os dois endocanabinoides mais estudados até o momento são:
Anandamida: um endocanabinoide que se liga, principalmente, aos receptores CB1 e CB2. Ela desempenha um papel importante na regulação do humor, apetite, memória, sensação de sono e outras funções. A produção da anandamida dá uma sensação de bem-estar, que se assemelha ao ato da amamentação.
2-AG (2-araquidonilglicerol): é outra chave endocanabinoide que atua como um agonista dos receptores de canabinoides, especialmente, dos receptores CB2. Ele está envolvido na regulação do sistema imunológico, resposta ao estresse e outras funções fisiológicas.
Esses endocanabinoides são sintetizados sob demanda em resposta a certos estímulos no organismo e são rapidamente degradados por enzimas específicas para manter a homeostase – equilíbrio do corpo. Eles também atuam na regulação de diversas funções do organismo.
Produzidos por síntese química
São canabinoides produzidos por sínteses química, entre eles:
Dronabinol: extrato sintético de Cannabis que pode melhorar a estabilidade respiratória e fornecer benefícios para o tratamento de Apneia Obstrutiva.
Cesamet: canabinoide sintético com uso terapêutico, atuando como antiemético e como analgésico auxiliar para dor neuropática.
Rimonabanto: antagonista seletivo de receptores canabinoides do tipo 1 e envolvido no regulamento central e periférico da ingestão de alimentos e no sistema de recompensa.
Encontrados na natureza e produzidos pelas plantas
Os fitocanabinoides são encontrados na natureza e produzidos pelas plantas, nesse caso, especialmente pela Cannabis Sativa:
Canabigerol – CBG: um dos canabinoides mais importantes na planta de Cannabis, é o precursor de outros canabinoides e abundante na Cannabis Sativa.
O cannabigerol é encontrado em grande quantidade e, conforme a planta cresce, ele se transforma em outros canabinoides como, por exemplo, em THC.
Por isso, muitas vezes, é chamado de “o pai de todos os canabinoides”. Mesmo ainda sendo um composto muito pesquisado, é um grande promissor para tratamento de doenças como: Demência, TEPT (Transtorno do Estresse Pós-Traumático), TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), Parkinson, Diabetes, Colite e Dor.
Tetrahidrocanabinol – THC: principal composto psicoativo da Cannabis, atua em áreas cerebrais ligadas a funções cognitivas e é eficaz contra náuseas, especialmente em tratamentos como a quimioterapia. Esses receptores canabinoides estão concentrados em certas áreas do cérebro associadas ao pensamento, memória, prazer, coordenação e percepção do tempo. O THC se liga a esses receptores e os ativa.
Ele também estimula as células do cérebro ao liberar dopamina, ao criar euforia e ao interferir no modo como as informações são processadas no hipocampo, parte do cérebro responsável pela formação de novas memórias. O THC pode ser utilizado também para aliviar sintomas, como: Dor, Espasticidade Muscular e no tratamento de Glaucoma, Insônia, Autismo, Epilepsia, Asma e Doenças Autoimunes.
Ainda na família do THC, temos o Delta-9-THC e o Delta-8-THC; o Delta-8 é um análogo menos psicoativo do THC, utilizado como estimulante de apetite, analgésico e com função neuroprotetora. Estudos indicam que o Delta 8 apresenta eficácia para pacientes oncológicos em tratamento, diminuindo as náuseas e vômitos.
E, por último, porém não menos importante, a família do THC, apresenta também o Tetrahidrocanabivarina – (THC-V), com propriedades semelhantes ao THC, porém com duas diferenças principais: não deixa o consumidor com a sensação de euforia, normalmente causada pelo consumo de plantas do tipo sativa e inibe o apetite. Além disso, tem atuação analgésica, anti-inflamatória e atua no controle da obesidade do paciente com diabetes tipo 2.
Canabidiol – CBD: é um dos canabinoides mais conhecidos e pertence à mesma família de compostos do THC. Ao interagir com o Sistema Endocanabinoide beneficia a saúde e a qualidade de vida, ajudando a aliviar sintomas de doenças neurológicas como o TEPT (Transtorno Estresse Pós-Traumático), Esclerose Múltipla (EM), Esquizofrenia, Parkinson, Epilepsia, Ansiedade, bem como na recuperação de fadigas musculares e dores crônicas devido aos efeitos anti-inflamatórios.
Canabicromeno – CBC: difere da maioria dos canabinoides porque tem baixa afinidade com os receptores canabinoides. O CBC se liga aos receptores TRPV (Receptor de Potencial Transitório Vaniloide) envolvidos na detecção de mudanças de temperatura e outras sensações em nível celular.
Estudos indicam que usando uma variedade de doses, os canabinoides exercem ações semelhantes às dos antidepressivos.
É conhecido por ajudar na condução dos outros canabinoides para os receptores, criando o efeito entourage (relação sinérgica entre todos os compostos químicos presentes na Cannabis).
Canabinol – CBN: é formado por meio da oxidação ou envelhecimento do THC. Potencial no tratamento contra insônia, também apresenta propriedades anti-inflamatórias e anticonvulsivantes.
Alzheimer é uma doença neurodegenerativa crônica e a forma mais comum de demência.
A dor crônica pode ser definida como uma “experiência sensitiva e emocional desagradável associada a uma lesão” (Associação Internacional para Estudo da Dor).
De acordo com a IASP, aproximadamente 80% da população mundial sofre com algum tipo de dor, 30% tem a forma crônica.